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Auditando empresas certificadas na norma ISO 14001 devo confessar que me sinto decepcionado com certos sistemas já certificados. A falta de conceito é assustadora. Se encontrarmos esse problema na norma ISO 9001, como problemas em requisitos como “ação corretiva”, na ISO 14001 esse problema chega a ser assustador. Num dos pontos chaves da ISO 14001, o “requisito 4.3.3 – Objetivos Programas e Metas” a falta do mínimo de conceito chega a ser desastrosa. Vou ilustrar um pouco minha experiência em auditorias de tais sistemas.

1ª. Situação: auditando uma empresa da área de construção civil, questionei o Representante da Administração em quais indicadores e metas haviam sido definidas, e o Representante me respondeu: “Nós temos o consumo de água e energia do escritório como metas”. E eu questionei: “e quanto aos indicadores das obras – Ex. diminuição / redução de resíduos da obra? Existem indicadores?” A resposta foi simples e taxativa: “não temos indicadores nas obras”. Agora vamos avaliar: o que gera mais impactos ambientais: o consumo do escritório central ou os resíduos gerados e recursos consumidos na obra? Para essa empresa, a primeira opção é mais importante.

2ª. Situação: auditando o mesmo requisito (4.3.3) numa metalúrgica do ABC, estava avaliando os programas definidos para atingir as metas ambientais.  E o Representante definiu uma série de indicadores (vários por sinal): consumo do elemento X, consumo do elemento Y, e assim por diante. E como ações (programa para atingir as metas) o mesmo definiu simplesmente: monitoramento. Veja bem (como diriam muitos auditados) o monitoramento é para verificar a eficácia das ações implementadas, e não a ação principal. Ah, essa mesma empresa definiu como meta atender requisito legal, lembrando que requisito legal é obrigação, e não deve ser tratado como meta.

A falta de conceito na ISO 14001 é abrangente a todos os requisitos: controle de documentos, controle de registros, critérios de significância, interpretação de laudos ambientais, e por aí vai.

Mas não adianta nada levantarmos os problemas se não propor soluções àqueles que nos leem, com uma dose generosa de paciência, por sinal.

Soluções Propostas:
A primeira solução seria a contratação de profissionais formados, com uma boa dose de experiência – aquilo que chamamos de background.

Como nem todas as empresas têm disponibilidade financeira ou geográfica para contratar tais funcionários, não sobra outra alternativa a não ser investirmos continuamente na preparação e aperfeiçoamento de nossa mão de obra. Isso mesmo: plano de treinamentos contínuos, com um bom processo de avaliação de eficácia desses treinamentos.

E uma outra opção é também contarmos com auditores (tanto os internos como os externos) para que estes promovam a disseminação correta dos conceitos normativos. Sem transformar em a auditoria em consultoria, mas retirando o que pudermos de informação de tais profissionais. Uma terceirização das auditorias internas é uma forma inteligente de aprofundarmos nossos conhecimentos nas normas, e termos uma visão externa, imparcial e preparada.

Boa sorte a todos!