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Por Luciano Lannes

A ciência mostra que somos seres compassivos, capazes de sentir a dor do outro. Esta dor alheia nos afeta e incomoda a ponto de alguma força em nosso interior pedir que façamos algo para minimizá-la ou mesmo interrompê-la, restaurando o equilíbrio anterior, em um estado de bem estar. Este mecanismo tem por finalidade o cuidado mútuo essencial à sobrevivência de nossa espécie. Também temos os neurônios espelhos que são mecanismos biológicos que nos auxiliam a empatizar com o outro. Eles reproduzem em nosso cérebro o que se passa no cérebro de outra pessoa a partir de informações que obtemos, principalmente através das expressões corporais e fisionômicas. Nosso cérebro pode reproduzir o sentimento de dor e tristeza de uma pessoa que perdeu um ente querido, assim como o êxtase de dois namorados em seu primeiro beijo. Este dispositivo, aprimorado através de milhões de anos, feito para garantir nossa sobrevivência, começou a ser cultural e socialmente impedido de operar em sua plena função. A razão é simples. Uma das funções mais básicas deste sistema, é impedir que exista agressão e violência entre os membros de nossa espécie, que em última instância, nos impedisse de matar semelhante.

Possuímos também a potencialidade para competir, subjugar, explorar, humilhar e mesmo matar. Em todos estes processos, diminuímos gradativamente nossa capacidade de empatizarmos com o sentimento do outro. O nazismo associou a figura do judeu ao rato para que as pessoas comuns pudessem desenvolver um sentimento de nojo e repulsa pelo que representavam. Assim, quando eram presos, humilhados, separados de suas famílias, privados de alimentos até definharem como esqueletos ambulantes e mesmo mortos nas câmaras de gás e depois queimados, eram vistos como meros ratos. Aquelas pessoas que não limitaram sua capacidade de empatia, foram as que se puseram a ajudar, e foram muitas. Na época da escravidão negra, os escravos não eram considerados como humanos. No sistema de castas indiana, da qual há registro de mais de 6.400 diferentes castas, podemos destacar em uma ponta os Brâmanes, religiosos e nobres, e na outra ponta os Haridchans, ou Dalits, conhecidos como intocáveis, por serem impuros, visto não terem nascido do Deus Brahma. Somente em outra encarnação poderão nascer em outra casta.

Assim, criamos sistemas para burlar o mecanismo natural da empatia e da compaixão.

Nas organizações, também temos sistemas rígidos de castas, e é praticamente impossível um "peão de fábrica" chegar a diretoria. O acesso a cultura e informação é limitado e o sistema realimenta um claro sistema de dominação. A questão que se coloca é: - como implantar uma filosofia de trabalho cooperativo onde as pessoas se reconheçam como iguais e interdependentes?

Trata-se de um processo a ser implantado que depende de muita atitude, paciência, e disciplina.

Acredite, nascemos para cooperar e os grandes líderes do mundo estão conscientes disto. Somente juntos poderemos encontrar uma saída para que possamos assegurar condições para a vida humana no planeta. Muitos paradigmas terão que ser substituídos. Será um grande trabalho que se estenderá por algumas gerações. Em nossas organizações, o processo pode ser muito mais rápido e também acelerará o processo global.

A questão neste instante é o que você pode fazer para conectar-se empaticamente com outras pessoas. A liderança educadora depende em larga escala desta capacidade de sentir as pessoas enquanto seres humanos e não simplesmente instrumentos a serviço de um determinado fim.

Inicie em sua organização mais íntima, sua família.