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Para Paula Bellizia, a nova forma de a empresa se relacionar com os consumidores e com o mercado é o que ajuda a companhia a se reinventar.

No começo dos anos 2000, a Microsoft era considerada a empresa mais valiosa do mundo. A companhia tinha valor de mercado próximo de US$ 600 bilhões e era a principal referência em inovação tecnológica. Catorze anos depois, quando o então presidente Steve Ballmer passou o bastão para o indiano Satya Nadella, a empresa valia US$ 270 bilhões e todo seu sex appeal havia sido “roubado” por empresas como Amazon, Apple e Google.

Sob a gestão de Nadella (agora em seu terceiro ano na posição de presidente), a Microsoft mudou totalmente de rumo. A antiga meta de que todas as pessoas do mundo tivessem um computador com Windows e Office em suas mesas deu lugar a três ambições: reinventar a produtividade, construir uma nuvem inteligente e criar uma computação mais pessoal.

Para realizar essa transformação, a Microsoft está mudando algo que está na base de qualquer companhia: a cultura (ou, em outras palavras, a forma como a empresa funciona e como se relaciona com os consumidores). A regra na Microsoft agora é “colocar o cliente no centro de todas as decisões”. Pode parecer clichê corporativo (e é), mas essa prática nunca foi verdade na companhia. Primeiro, porque a empresa, durante muitos anos, reinou absoluta num mercado de softwares sem grandes competidores. Não era preciso, portanto, bajular os clientes. Segundo, porque a forma como o mercado corporativo usava softwares não exigia muita proximidade - o cliente comprava uma versão do Windows para instalar no desktop e, anos depois, pensava em atualizá-la.

Hoje, a Microsoft é uma empresa de serviços, e não de produto. Com as ferramentas em nuvem, como o Azure, o contato com o cliente corporativo, por exemplo, passou a ser frequente. Um exemplo: em junho (2016), a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, que usa o Azure, foi apresentada a 34 estagiários da empresa que estão desenvolvendo aplicações exclusivas para a área de educação (algo que vai bem além do serviço contratado). Quem poderia imaginar, no passado, tamanha política de boa vizinhança?

Em entrevista a Época NEGÓCIOS, por e-mail, a presidente da Microsoft no Brasil, Paula Bellizia, contou que a cultura da empresa está hoje baseada na “growth mindset” (ou “mentalidade do crescimento”), segundo a qual busca-se aprender sempre. Trata-se de uma filosofia que Nadella implementou na companhia, aliás, depois de ler Mindset: The New Psychology of Success, como revelado por ele em entrevista à Bloomberg. "Hoje, aprendemos ao ouvir nossos clientes", diz Paula. A presidente da empresa no país também falou a NEGÓCIOS sobre Nokia, Brasil e crise. A seguir, os principais trechos.

Clientes corporativos da Microsoft relatam que a indiferença com que a empresa os tratava no passado deu lugar hoje a uma relação próxima e cheia de cortejos. Por que houve essa mudança?
A Microsoft está vivendo uma grande transformação. A empresa tem uma nova gestão e colocou foco em apenas três ambições: reinventar a produtividade e os processos de negócios, construir uma plataforma de nuvem inteligente e criar uma computação mais pessoal. O modelo de negócios mudou e hoje estamos mais abertos (a integração dos softwares da Microsoft com o Linux, um sistema de código aberto, é um exemplo). Trabalhamos a tecnologia nos termos do cliente. Nossa nova missão é empoderar cada pessoa e cada organização no mundo a conquistar mais. Uma transformação como essa não acontece se não mudarmos a cultura.

Como você define essa nova cultura?
Ela está fundamentada no “growth mindset”, ou mentalidade de crescimento, segundo a qual buscamos aprender sempre. Aprendemos ao ouvir nossos clientes, entendendo o que precisam para ajudá-los a realizar a transformação digital. Hoje somos uma empresa de serviços. Por isso, acompanhamos mais de perto nossos clientes.

De que forma?
Agora não é apenas venda de produto. O desenvolvimento do Windows 10 é um grande exemplo de como ouvimos os nossos clientes e consumidores para inovar e aprimorar nossos produtos. Tivemos 5 milhões de pessoas no mundo testando a solução e contribuindo com suas informações. Isso tudo com o objetivo de lançar um produto mais alinhado às expectativas dos consumidores. O Windows 10 é a versão do nosso sistema operacional com a adoção mais rápida da história da empresa, já instalado em mais de 350 milhões de dispositivos no mundo.

Qual é a estratégia atual da Microsoft e qual é o papel do Brasil nela?
A Microsoft renovou seu modelo de atuação no mundo e hoje se posiciona como uma empresa de serviços na nuvem, que são a nossa principal aposta. Somos uma empresa de plataformas. Também somos abertos, pois trabalhamos hoje com Linux em Azure, SAP em Azure, SQL em Linux, Office em iOS. Compramos recentemente a Xamarin, uma empresa que oferece recursos para que desenvolvedores criem aplicativos em Windows, mas também em Android e iOS. Em nuvem, oferecemos desde a infraestrutura até aplicações de software, passando pela plataforma (Iaas, Paas e SaaS).

Quanto ao mercado brasileiro, a Microsoft Brasil é uma das principais subsidiárias da empresa no mundo. Estamos aqui há 27 anos. Temos um compromisso com o desenvolvimento do país e realizamos vários investimentos para gerar inovação, como nosso Centro de Tecnologia em São Paulo, os datacenters (para Azure, CRM e Office 365), o laboratório de tecnologia avançada, o centro de desenvolvimento do Bing e a pós-aceleradora de startups Acelera Partners. Nosso compromisso com o desenvolvimento do Brasil está focado no apoio à jornada empreendedora, englobando educação e o estímulo ao empreendedorismo, porque acreditamos que ambos são os alicerces fundamentais para a competitividade do país. Já implementamos um conjunto de programas e iniciativas que apoiam toda a jornada empreendedora, desde o apoio à capacitação de jovens em tecnologia ao estímulo para o desenvolvimento de startups.

Você diz que a venda da divisão Nokia não significa que a Microsoft vai deixar de investir em smartphones e que outro fabricante deve produzir o Windows Phone aqui. Qual é a estratégia agora para abocanhar uma fatia relevante de um mercado dominado por Android e Apple?
Conforme anunciado pelo nosso CEO, Satya Nadella em 25 de maio, a Microsoft definiu um novo foco para o negócio de smartphones. A empresa está direcionando os esforços nas áreas em que tem diferenciais. Nós vamos continuar a inovar em múltiplos dispositivos e nos serviços de nuvens em todas as plataformas móveis.

Como a crise pela qual passa o país afeta a empresa?
O cenário econômico e político do Brasil é desafiador, mas, ao mesmo tempo, proporciona oportunidades para as empresas de tecnologia. Acredito que, em momentos de expansão do mercado, a tecnologia tem papel importantíssimo na alavancagem de negócios. Em momentos desafiadores, a tecnologia oferece soluções para maior eficiência e redução de custos. É com este foco que trabalhamos. A situação do país apresenta desafios, sem dúvidas. Mas posso assegurar que a Microsoft Brasil se mantém entre os principais mercados para a companhia, com vários investimentos realizados nestes 27 anos. Apenas para dar um exemplo recente, estivemos entre os 13 países que tiveram um evento de lançamento do Windows 10 no mundo. Importante dizer também que no Brasil estamos evoluindo rapidamente na transformação digital. Dobramos o negócio da nuvem para grandes empresas, na comparação do segundo semestre de 2015 com o mesmo período de 2014. Além disso, 90% das vendas de Office para pessoas físicas já ocorrem na modalidade nuvem. No segmento para PMEs, estamos mantendo crescimento consistente de dois dígitos.

Fonte: http://epocanegocios.globo.com/
Texto por: Nayara Fraga

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